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... E nada como se pegar pensando, de tempos em tempos, "olha, olha como o céu está cinza hoje...", para logo depois ser surpreendido por uma fresta de Sol que lhe aquece suavemente o rosto, vencendo todo o céu ameaçador ... fechar os olhos... e deixar as memórias do verão passado por alguns segundos tomar conta de seu corpo...
Memórias:
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É por aqui que vai pra lá?
"Na verdade, mesmo mergulhando naquele marzão de Deus, ou depois, na piscina do hotel, havia um quê de melancólico no dia. Ela não estava por ali. E não era, decerto, por causa das costas sem Sundown que ela fazia falta. Era por uma razão menos prática e mais da alma."
Kioshi.org
"E a raiva - a raiva vai passar. Mesmo que teus demônios te assombrem demais na madrugada e ainda não te deixem dormir, mesmo ainda não dando para fechar os olhos e sonhar tranquilo, isso tudo vai passar.Você conseguiu uma vez e vai conseguir de novo."
My own pretty hate machine
"Quando eu era pequeno, eu levantava minhas mãos pro céu e rodava e rodava e rodava... e o mundo inteiro se desmanchava ao meu redor, num feito incrível de cores e luzes, de emoção e intuição, até que a tontura tomasse conta de mim e eu caía no chão. Daí eu me levantava e fazia de novo. Estava certo que um dia eu conseguiria rodar tão rápido que a vertigem não me pegaria."
O afetivo redescoberto
"Se na vida o que vale é se encontrar, seja na queda de abismos ou beirais dos anseios, o que torna a experiência mais vívida e atraente é sentir o gosto da travessia, seja ela assertiva ou equivocada. E nada mais soberbo do que perder-se para encontrar-se inteiramente."
sutilezas
"...surpreendo o meu dia a dia com pequenas delicadezas que nem sei de onde vêm, mas aceito o convite e mergulho em lagos selvagens"
Cachorro Molhado
"As cidades são imensos vãos silenciosos, onde é preciso gritar. As pessoas sabem: não vão amar, não vão viver, vão sucumbir se não gritar. É preciso preencher esse vazio gritando. É preciso ser histérico"
the.way.things.are
"Você entra na aeronave, acha o seu banco, senta e começa a ler aquele "manual de sobrevivência" - onde aparecem todas as coisas trágicas (que podem acontecer em um acidente) ilustradas. Você quer morrer antes mesmo do avião decolar. A aeronave começa a aquecer as turbinas para dar partida e você faz questão de nem se mexer muito durante o vôo para não se sentir responsável por qualquer problema técnico ao longo da viagem..." .:.:. vIvEnDo Na Da MoRi .:.:.
"Perdi o controle naquela manhã. Não que tivesse saído atirando as coisas pelo chão ou que tivesse deixado a sala aos berros e correndo, mas perdi meu controle sem saber o que fazer da vida...."
Mundo de Gika
"As vezes, preciso ouvir o que é dito sempre, e sim você sempre fala; Em teu beijo quero sentir todos os tipos de amor que existe dentro de você, assim como eu quero entregar o que sinto, e quero , deveras egoísta, ter todos os tipos do seu amor apenas para mim. Aceito o seu egoísmo, e ofereço o que há de mais precioso no meu amor."
Álcool com açúcar
"...As pessoas que mais nos importam são as ÚNICAS que podem nos atingir da forma mais inevitável, da forma mais destrutiva. Quanto mais próxima a pessoa, pior o buraco."
Garden of Death
"Quando morrer, quero ser coisificada. Não se trata de esquecimento da terminologia correta, nem de algo moderno ou inusitado... Existem formas de ser coisificado. Quando em vida se é um grande artista plástico, suas obras o fazem coisa: 'Fulano tem um Monet em casa'. Coisa."
Pensar enlouquece. Pense nisso
"Por vezes encaro "Pensar Enlouquece" como uma espécie de antiblog. Não porque eu desgoste de blogues ou raramente fale de minha vida pessoal, e sim porque não sou, e provavelmente jamais serei capaz de publicar textos aprazíveis todo santo dia. Enquanto a maior parte de meus colegas publica três, quatro, cinco posts no intervalo de poucas horas, aqui dificilmente você se deparará com mais do que um texto por dia, e isso se houver algum."
Capman
"De qualquer maneira, é bom eu não me animar muito. Do jeito que eu ando sortudo ultimamente, é bem capaz da luz no fim do túnel ser um trem que vem na direção contrária...""
Ernestinho e suas mulatas besuntadas
"Persela, a vesga
Capítulo de hoje: O amor de Persela e Tony Johnny é "lindo, tão lindo, nada pode ser mais lindo". Enquanto eles comem um lindo algodão-doce cor-de-rosa no pátio da escola, Persela diz:
- Puxa, Tony Johnny. Jamais pensei que eu pudesse ser tão amada. Você sabe, não sei se já percebeu... mas eu sou vesga!
- O quê? Ah, amor, estava falando comigo? Eu pensei que você estivesse olhando para lá... "
Uma dama não comenta
"O problema não é passar a tarde ensolarada às voltas com um pneu furado... O grande problema é a visão da bunda cabeluda do mecânico cada vez que o cara se abaixa. É que nem acidente de trânsito. Grotesco, mas você não consegue deixar de olhar"
Quem escreve?
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Roberto Sasaki tem lá quase seus 30 anos e já exibe sinais de uma certa senilidade precoce, talvez conseqüência de sua compulsiva adoração por junkie food.
Diz que gosta de ler, mas se nega a revelar o nome do último livro que leu, talvez por receio, vergonha, ou porque já se esqueceu mesmo.
Leva tempos para assimilar e aceitar a introdução de novas tecnologias revolucionárias em sua vida, como o uso de panelas elétricas para fazer arroz e a função despertador de seu celular.
Invariavelmente cochila dentro do carro ao voltar do trabalho, em pleno trânsito (prova maior e irrefutável de sua senilidade segundo as más línguas).
Já perdeu a conta das vezes em que se envolveu em "pequenos incidentes de trânsito", termo metafórico que usa para dizer que bateu o carro mesmo, e que não foram poucas vezes. Isso explica o fato de sempre ser convidado para ocupar o banco de passageiros em qualquer atividade coletiva que envolva transporte sobre quatro rodas.
Diz que gosta de ir ao cinema, mas desconfia-se que seja mais pela presença dos amigos do que pelos méritos do filme. Alguns mais maldosos dizem que não se trata de nada disso, que é a pipoca mesmo que o atrai.
Invariavelmente tende a resistir perante uma nova música de sucesso, para depois ser visto cantarolando compulsivamente a mesma música por horas a fio.
Dizem que gosta de escrever, seja lá o que for: contos, cartas, lista de supermercado. Por causa disso, sempre ficava com a parte de copiar o Amanaque Abril nos trabalhos escolares.
De qualquer maneira, considera a escrita a mais poderosa forma de comunicação, e por isso procura ser sensato em suas opiniões.
Bem, pelo menos, na maioria delas... E quando se lembra disso...
Favoritos
Cinemascopio
Críticas de cinema da melhor qualidade
"Escrever para jornal pode ser gratificante, estressante e frustrante. Gratificante quando há espaço, estressante pelas deadlines, frustrante pela mutilação de textos promovida pela falta de espaço. Num tom mais melancólico, a crítica, matéria ou entrevista primorosamente editada hoje pode, amanhã, estar embrulhando peixe no mercado ou forrando o piso de alguma butique..."
Pensata
As colunas bem humoradas de Lúcio Ribeiro sobre o mundo pop
Blog do Basquete Feminino
O melhor e mais completo site sobre o esporte
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9.6.05
Sayonara, Batyan Minha avó (batyam, em japonês) sempre fazia bolinhos de chuva nas tardes de domingo. Ficávamos bem juntinhos na mesa, tomando chá e comendo os docinhos por longos períodos. Pouco conversávamos, a barreira da língua criava silêncios eloqüentes, ela tentando entender minhas frases em português, eu fingindo entender suas histórias em japonês. Sorríamos o tempo todo, sorrisos sinceros, onde me sentia relaxado e seguro. Não precisávamos de palavras para descrever nossa admiração.
Com o passar do tempo e alguns anos estudando japonês, passei a entender mais de suas histórias. Fiquei surpreso ao ouvi-la me contar como era precária sua situação logo que chegou ao Brasil. De dia, trabalho árduo e longo nas plantações de café. À noite, quando não chovia, ela contava que podia enxergar as estrelas através das falhas no teto de palafita da casa. E era assim, olhando para as estrelas, que a saudade do Japão mais apertava.
Eu ficava imaginando como minha batyam, tão miudinha, poderia ter vivenciado e sobrevivido a tudo isso. Passei a admirar sua gana pela vida, a força que surgia em seu corpo frágil nas situações mais delicadas.
Força demonstrada na recuperação de suas quatro cirurgias nos últimos anos, por exemplo. "Eu vou sobreviver", ela sempre dizia. Mesmo reclamando da comida do hospital, ela fazia questão de comer tudo porque sabia que seu corpo precisaria de energia para se recuperar. Mesmo com dor, era capaz de mentir para o médico para se mostrar forte e retirar os remédios que lhe prendiam no leito. Mesmo com medo, porque ela deveria ter medo, ela não o demonstrava.
E sempre sobrevivia, sempre se recuperava.
Hoje, no entanto, minha tia a encontrou em sua cama, inconsciente, e minha batyam teve de ser novamente hospitalizada. Seu frágil corpo silencioso sobre o lençol branco do leito me diz que, desta vez, ela está nos deixando. É estranha e triste a sensação da partida, mas rezo e agradeço por todo o amor que vivenciamos. Seus ensinamentos permanecerão fortes neste plano.
...
O Mundanus também encerra seu ciclo por aqui, depois de dois anos. Palavras não serão suficientes para descrever minha gratidão para todos vocês que me acompanharam, me inspiraram e me estimularam a escrever. Obrigado por tudo, obrigado à todos.
escrito por Roberto Sasaki
at 10:04 PM
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31.3.05
Mudando de academia Tem uma coisa engraçada que acontece quando você percebe que a monitora da academia está observando você no meio de um exercício. Por mais cansado que você esteja, a única coisa que importa naquele momento é terminar a série de exercícios, custe o que custar. De preferência, sem demonstrar nenhuma dor através de caretas ou gemidos, principalmente quando seus gemidos lembram os de uma menininha de doze anos.
Não importa se um pouco antes dela te olhar você tenha chegado a conclusão de que havia exagerado e que aquele peso estava alto demais. Para ganhar aquela forcinha extra, vale tudo, inclusive colocar sua coluna vertebral perigosamente em jogo e ganhar um impulso extra para os últimos exercícios. O importante é terminar a série, mesmo sabendo que o estoque de emplastros Salompas acabou e que você vai precisar deles e que a única farmácia aberta é exatamente aquela da balconista que perguntou, inocentemente, se os emplastros eram para o seu avô.
O que não é nada engraçado é quando você termina o exercício e percebe que realmente exagerou, porque está passando mal e, de repente, se vê estatelado no chão sendo acudido pela monitora da academia que, a propósito, está grávida de oito meses.
escrito por Roberto Sasaki
at 9:57 PM
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14.12.04
Dias felizes Lembro-me, em especial, dos meus Natais da infância. A preparação para o jantar começava logo de manhã, quando minha avó ia para a feira comprar os ingredientes da ceia. Voltava carregada de coisas diferentes, para pratos que só comíamos nesta ocasião. O dia inteiro ela passava dentro da cozinha, no único dia em que a porta da cozinha ficava fechada. Nunca soube o que exatamente acontecia lá dentro, só me lembro de que toda vez que eu abria a porta para xeretar, recebia uma bronca de todo o mundo e saía chateado, batendo os pés.
Eu e as outras crianças brincávamos o dia inteiro, até o momento em que nossas tias apareciam e interrompiam a viagem intergaláctica que fazíamos na beliche, ou demoliam nossa cabana feita de almofadas para irmos tomar banho. Depois do banho, até a hora da ceia, todo mundo tinha que ficar quietinho sentado no sofá para não sujar as roupas, esperando os convidados.
A hora da refeição era meio que mágica. Cada um tinha o seu lugar. Vez ou outra eu e minha prima Marcelina brigávamos para ver quem ia sentar na ponta da mesa, ao lado do meu avô. Eu sempre ganhava, mesmo porque eu era "maior e mais velho", o que na época era uma grande vantagem.
A mesa ocupava a sala inteira (na verdade a sala é que era pequenina mesmo), e todos os pratos preparados por minha avô enfeitavam a mesa. Havia a sopa especial de Natal (que eu só soube apreciar anos e anos depois), os bolinhos de arroz cor de rosa mesclados com pedacinhos de carne, tão bonitinhos, os bolinhos de arroz com recheios em forma de desenhos (havia os bolinhos com a árvore de Natal desenhada, outros com o papai Noel - é lógico que eu sempre pegava um de cada tipo e passava um bom tempão admirando tudo antes de comê-los.... e é lógico que como eu pegava muito eu sempre levava bronca da minha mãe, onde é que já se viu, encher o prato deste jeito...)
Sempre havia um grande pedaço de carne no centro da mesa, daqueles com a cor, sabor e a consistência perfeitas, já colocados em meu prato fatiados pelo meu pai. Não que ele fosse um exímio conhecedor do assunto, ainda mais depois de algumas cervejas, mas calhava dele sempre sentar de frente para a carne. Assim como uma de minhas tias calhava de sentar sempre de frente para a maionese, e passava minutos e minutos só servindo o pessoal antes de poder saborear qualquer coisa.
Eu, como disse, sentava do lado do meu avô, e achava um barato ver ele comendo os sashimis, os famosos peixes crus. Pois é, não achem que todo o japonês já nasce comendo essas coisas, me lembro muito bem que aquilo para mim era como que um espetáculo, eu não entendia muito bem como é que alguém poderia comer com tanta satisfação um pedacinho rosado de salmão cru ao molho shoyu e gengibre ralado...
Invariavelmente me lembro muito bem que eu terminava o Natal debaixo da mesa, brincando com as outras crianças novamente, enquanto nossos pais ainda comiam, conversavam e gargalhavam.
O grande barato, no entanto, era pegar nossos travesseiros e dormir debaixo da mesa mesmo, que servia de grande cabana para todos nós, as crianças...
...Era a única época do ano que tínhamos a oportunidade de dormir dentro de uma cabana tão grande e forte, que não corria o risco de desmoronar ao primeiro esbarrão... não podia haver coisa melhor... nem o lobo mau seria capaz de nos pegar lá dentro...
(post publicado em julho de 2003)
escrito por Roberto Sasaki
at 9:31 PM
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5.12.04
O presente de Natal Eu estava ansioso e mal conseguia esperar para receber o presente que havia escolhido para ganhar do Papai Noel. Afinal de contas, eu pessoalmente havia ido até o Mappin com a minha mãe para mostrar o que queria, o kit Playmobil medieval. A embalagem do brinquedo era incrível, vários bonequinhos dentro de um castelo gigante, capas, coroas, espadas e até um par de cavalos para criar minhas próprias historinhas. Na véspera do Natal, levei um bom tempo para pegar no sono tamanha a excitação.
Na manhã do dia 25 de dezembro, acordei e me deparei com um pequeno pacote na cama. Estranhei, o meu presente deveria vir numa embalagem muito maior. Desconfiado, abri o pacote e lá estava o Playmobil medieval, mas numa versão mais econômica: havia UM rei, UMA rainha e apenas UM cavalinho.
Chorei decepcionado e recebi o abraço de meus pais, que também choraram. Papai Noel havia pedido desculpas e deixado a promessa de que, em breve, eu ganharia o kit completo. Depois de muito choro, acabei me conformando.
Foi provavelmente nesta época que percebi que Papai Noel talvez não existisse, mesmo quando, no dia seguinte, acordei com o kit completo aos meus pés.
Não sabia das dificuldades financeiras pela qual passávamos, mas a alegria que sentia enquanto desembalava meu presente sob os olhos de meus pais expressava muito mais do que a felicidade pelo presente. Expressava também a gratidão e o reconhecimento do esforço de meus pais.
E é por momentos como este, por tudo, que sempre os amarei.
Um Feliz Natal para todos vocês.
escrito por Roberto Sasaki
at 10:45 PM
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30.11.04
Por falar em patinar no gelo... Na época do colegial, um dos programas favoritos de meus amigos era patinar no gelo. Para mim, era um pesadelo. Enquanto todos ficavam rodopiando no ringue, eu disputava com as criancinhas um espaço para me segurar nas barras laterais de apoio. Quando me arriscava e soltava as mãos, exibia a desenvoltura de um elefante sobre meus patins. E caia, obviamente.
O pior não era a dor da queda, mas as risadas de todas as pessoas ao redor. Eu imaginava que, quanto mais vezes fosse patinar, melhor ficaria, mas concluí que nem sempre "a prática leva a perfeição". Na verdade, depois de várias horas no gelo, descobri que "a prática leva ao tombo mesmo".
Anos e anos se passaram, e agora vem a notícia de que a pista de patinação foi reaberta...
... Algo me diz que nem meu amor próprio vai ser capaz de inibir esse meu impulso saudosista de relembrar a sensação do gelo sob as nádegas...
escrito por Roberto Sasaki
at 11:37 PM
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18.11.04
O mutante Respirei fundo e tentei não me importar com o placar. As pessoas estavam rindo e eu já estava chamando a atenção dos jogadores das outras pistas, todos atraídos para ver quem era aquele que, em plena oitava rodada, ainda não havia derrubado nenhuma garrafinha na pista de boliche.
Eu já estava duvidando que pudesse haver alguma lógica no jogo, mas mesmo assim fingi mirar nas garrafas e arremessei a bola mais uma vez.
Com um olhar de horror, observei a bola tomar uma direção totalmente anômala em direção da canaleta assim que a soltei de minhas mãos.
Incrível: dezessete tentativas e nada.
Então era isso. Era a primeira vez que jogava boliche e meu maior medo estava prestes a se concretizar: terminaria o jogo sem derrubar um alvo sequer.
Foi então que, entre gargalhadas jocosas e tapinhas de consolação, desejei com todas as minhas forças que algo acontecesse e colocasse um fim naquela situação ridícula.
Instantes depois, uma pane elétrica ocorreu e apagou todos os placares do estabelecimento. Todas as provas de minha inaptidão haviam desaparecido.
A partir daquele dia, deixando de lado a versão mais lógica de que tudo era uma grande coincidência, passei a desconfiar que tinha poderes especiais e que poderia conseguir o que quisesse se me concentrasse bastante o suficiente.
E é por isso que ainda insisto em apostar na Mega-Sena e tento controlar os semáforos quando estou dirigindo. Mas uma coisa eu respeito: nunca tento estacionar o carro dentro do Parque do Ibirapuera num domingo ensolarado, oh não mesmo.
Ainda está para nascer um X-men com esse dom.
escrito por Roberto Sasaki
at 12:38 AM
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18.10.04
O Tabu Cautelosa, a Fernanda me explicou que a aula de GAP era de ginástica localizada para glúteos, abdômen e pernas, mas que eu poderia experimentar se não me importasse. Não entendi muito bem o "se não me importasse", mas demonstrei meu interesse em participar da aula para variar um pouco minha rotina na academia.
Minutos depois, ela novamente se aproximou dizendo que havia acabado de conversar com o professor da aula de GAP, que lhe revelara que a aula daquele dia seria muito voltada para a musculatura dos glúteos. Eu disse que tudo bem, queria conhecer a aula.
Logo depois, o próprio professor se aproximou dizendo que havia sido alertado pela Fernanda de que eu estava interessado em participar de sua aula. Veja bem, Roberto, esta aula inclui algumas séries para os glúteos, tudo bem para você?
Eu reafirmei que sim, perguntando se havia algum problema nisso. Ele prontamente respondeu que não, que só queria confirmar a informação.
Quando estava subindo as escadas em direção à aula que estava para começar, um grito ecoou por toda a academia. Era a Fernanda novamente, desta vez do outro lado da sala, dizendo Rôôôôô! Está mais do que confirmado! A aula de hoje vai ser bem voltada para os glúteos, viu!
Nesse instante, todas as cabeças se voltaram para mim, que enquanto subia os degraus acenava dizendo que estava tudo bem, que todos podiam ficar tranqüilos porque eu sabia o que estava fazendo.
Sei lá, devo ter quebrado alguma lei inexorável da natureza. Talvez o décimo primeiro mandamento, quem sabe. "Se fores homem, nunca farás exercícios para sua bunda". Sim, talvez Moisés tenha dito isso.
escrito por Roberto Sasaki
at 1:34 AM
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15.9.04
Momentos constrangedores, parte 2 Dia desses fui ao Mc Donald's com o único intuito de usar o computador deles. Para isso, teria de comer alguma coisa e apresentar o recibo no balcão. Pedi o número um, com batatas grandes e coca-cola light (ridículo) e comi feliz imaginando que belo álibi este o do computador para poder me deliciar com o lanche sem maiores culpas. Enquanto comia, tentava não olhar para um casal ao lado que, pelo andar da carruagem, não se viam há um bom tempo. Pois é, eu não era o único que freqüentava o Mc Donald's naquele dia com segundas intenções.
De qualquer forma, estava tão satisfeito após a refeição que já estava na rua quando me lembrei de meu objetivo inicial, o Mc Internet. Já havia jogado no lixo o recibo, mas resolvi voltar para resgatá-lo, imaginando se seria muito vergonhoso enfiar meu braço dentro do cesto.
Realmente, foi bem vergonhoso, mas ninguém me viu. O casal ainda estava lá, mas o local poderia estar em chamas que eles nem perceberiam. Além disso, o lixo estava lotado e nem tive de revirar muito para achar o recibo. Estava um pouco manchado de ketchup, mas estava inteiro.
Enfim, a vergonha seria recompensada. Consegui me conectar e baixar os e-mails... Eram mais de 150...
... Mais de 140 eram spam...
escrito por Roberto Sasaki
at 9:44 PM
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13.9.04
Momentos constrangedores Que a esposa do Marcos é meio estrábica, todos já tinham reparado. Que meu pai costuma trocar uma ou outra palavra, todos já sabiam também. O que ninguém esperava é que meu pai, diante de várias pessoas, inclusive do casal em questão, dissesse em alto e bom som:
"- Pois é Marcos, eu já reparei que sua esposa é meio lésbica..."
Por alguns segundos, a sala ficou em silêncio. Não dava nem para disfarçar o grau de constrangimento fingindo que nada havia sido dito, ele tratou de dizer a frase bem alto. Tratei de agir logo, corrigindo meu pai:
"- Não é lésbica, pai! A esposa do Marcos é VESGA, ela é VESGA!"
"- Ah, é verdade!", ele proclamou, e todos riram aliviados com a resolução, repetindo "Ela é vesga, ela é vesga, como não?" como se aquele fosse o adjetivo mais bonito para se descrever uma pessoa.
escrito por Roberto Sasaki
at 9:17 PM
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10.8.04
Amanhecer Quando criança, adorava acordar cedinho para sorrateiramente me esconder e observar meus avós na cozinha durante o café da manhã. Minha avó preparava o café ainda com o céu escuro, enquanto as últimas estrelas ainda podiam ser vistas da varanda. Meu avô lia em voz alta algumas notícias do "São Paulo Shimbum" na mesa, enquanto aguardava as torradas ficarem prontas. Sorriam e conversavam o tempo todo.
O aroma do café misturado com o som da manteiga sendo passada sobre a torrada e a visão do amanhecer através da grande janela da cozinha criavam uma atmosfera quase que mágica para meus pequenos olhos. Escondido atrás de uma pilastra, mal sabia naquela época que aquele singelo café da manhã exalava muito do amor e do respeito entre meus avós, mas tinha plena convicção que não queria interromper aquele momento tão especial e quebrar a magia com a minha presença.
Eventualmente, não era bem sucedido e acabava sendo descoberto. Era convidado a participar da refeição, sentava ao lado de meus avós e mergulhava as torradas com manteiga e geléia em minha xícara de leite.
E era basicamente feliz.
escrito por Roberto Sasaki
at 12:02 AM
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19.7.04
Traumas de infância O concurso de Miss Caipirinha já era uma tradição na escola e tinha regras bem simples: a menina que vendesse mais cartelas de bingo era a eleita. Como qualquer menino de 7 anos apaixonado, juntei todo meu dinheiro das merendas e comprei várias cartelas em nome da Lyra, minha candidata preferida.
Só com as minhas vendas, a Lyra já poderia se considerar virtualmente coroada. O problema é que ela não queria se candidatar - além de linda, era tímida. Foi então que, para solucionar o impasse, a professora Zelda teve a brilhante e revolucionária idéia de lançar o meu nome para o concurso de miss (!!!). Todas as crianças adoraram a idéia, com exceção da Andréia, que queria porque queria ser eleita a Miss Caipirinha, e eu, obviamente, que apesar de novo já tinha plena noção de que aquilo era coisa de mulherzinha.
Apesar de minhas reclamações, eu praticamente fui obrigado a participar do concurso e, se não fosse uma manobra desesperada da família da Andréia, que na última hora comprou uma quantidade exorbitante de cartelas para lhe garantir a coroa, eu seria eleito Miss Caipirinha 1982 da E.E.P.S.G.Prof. Roldão Lopes de Barros.
Taí uma coisa que eu achava que nunca seria capaz de contar para ninguém...
escrito por Roberto Sasaki
at 12:16 AM
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11.7.04
Para meu afilhado no Japão Com seis meses de gestação, a Paty chegou do Japão para ter seu filho no Brasil. Já fazia alguns anos que ela havia partido, e seu retorno foi comemorado com muita alegria. No dia 30 de janeiro, nasceu o Igor.
As horas passavam serenas ao lado dos dois. O ambiente possuía uma atmosfera encantadora de carinho e era difícil não se envolver diante de tanto amor. O mais impressionante era o olhar de minha prima quando tinha o Igor em seus braços, a maneira cuidadosa com que o envolvia para amamentá-lo, fazia meu coração acelerar e muitas vezes me dava vontade de chorar.
Mais do que voltar para o Brasil e ter seu filho, a Paty nos trouxe a oportunidade única de acompanhá-la neste momento tão especial e único, rico e repleto de sentimentos derivados do amor.
E pensar que há alguns anos eu pegava a Paty nos ombros e saía galopando por campos imaginários, enquanto ouvia seus gritinhos de prazer, ou lembrar dela desfilando pela casa com um cobertor amarrado no pescoço, dizendo que era a Rainha da Inglaterra, ou a Patrine, dependia do nó, quanta coisa mudou. Eu sempre me diverti muito com a Paty, sempre lhe desejei muitas felicidades.
E agora, o Igor.
Realmente, existe um Deus.
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