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... E nada como se pegar pensando, de tempos em tempos, "olha, olha como o céu está cinza hoje...", para logo depois ser surpreendido por uma fresta de Sol que lhe aquece suavemente o rosto, vencendo todo o céu ameaçador ... fechar os olhos... e deixar as memórias do verão passado por alguns segundos tomar conta de seu corpo...
Memórias:
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É por aqui que vai pra lá?
"Na verdade, mesmo mergulhando naquele marzão de Deus, ou depois, na piscina do hotel, havia um quê de melancólico no dia. Ela não estava por ali. E não era, decerto, por causa das costas sem Sundown que ela fazia falta. Era por uma razão menos prática e mais da alma."
Kioshi.org
"E a raiva - a raiva vai passar. Mesmo que teus demônios te assombrem demais na madrugada e ainda não te deixem dormir, mesmo ainda não dando para fechar os olhos e sonhar tranquilo, isso tudo vai passar.Você conseguiu uma vez e vai conseguir de novo."
My own pretty hate machine
"Quando eu era pequeno, eu levantava minhas mãos pro céu e rodava e rodava e rodava... e o mundo inteiro se desmanchava ao meu redor, num feito incrível de cores e luzes, de emoção e intuição, até que a tontura tomasse conta de mim e eu caía no chão. Daí eu me levantava e fazia de novo. Estava certo que um dia eu conseguiria rodar tão rápido que a vertigem não me pegaria."
O afetivo redescoberto
"Se na vida o que vale é se encontrar, seja na queda de abismos ou beirais dos anseios, o que torna a experiência mais vívida e atraente é sentir o gosto da travessia, seja ela assertiva ou equivocada. E nada mais soberbo do que perder-se para encontrar-se inteiramente."
sutilezas
"...surpreendo o meu dia a dia com pequenas delicadezas que nem sei de onde vêm, mas aceito o convite e mergulho em lagos selvagens"
Cachorro Molhado
"As cidades são imensos vãos silenciosos, onde é preciso gritar. As pessoas sabem: não vão amar, não vão viver, vão sucumbir se não gritar. É preciso preencher esse vazio gritando. É preciso ser histérico"
the.way.things.are
"Você entra na aeronave, acha o seu banco, senta e começa a ler aquele "manual de sobrevivência" - onde aparecem todas as coisas trágicas (que podem acontecer em um acidente) ilustradas. Você quer morrer antes mesmo do avião decolar. A aeronave começa a aquecer as turbinas para dar partida e você faz questão de nem se mexer muito durante o vôo para não se sentir responsável por qualquer problema técnico ao longo da viagem..." .:.:. vIvEnDo Na Da MoRi .:.:.
"Perdi o controle naquela manhã. Não que tivesse saído atirando as coisas pelo chão ou que tivesse deixado a sala aos berros e correndo, mas perdi meu controle sem saber o que fazer da vida...."
Mundo de Gika
"As vezes, preciso ouvir o que é dito sempre, e sim você sempre fala; Em teu beijo quero sentir todos os tipos de amor que existe dentro de você, assim como eu quero entregar o que sinto, e quero , deveras egoísta, ter todos os tipos do seu amor apenas para mim. Aceito o seu egoísmo, e ofereço o que há de mais precioso no meu amor."
Álcool com açúcar
"...As pessoas que mais nos importam são as ÚNICAS que podem nos atingir da forma mais inevitável, da forma mais destrutiva. Quanto mais próxima a pessoa, pior o buraco."
Garden of Death
"Quando morrer, quero ser coisificada. Não se trata de esquecimento da terminologia correta, nem de algo moderno ou inusitado... Existem formas de ser coisificado. Quando em vida se é um grande artista plástico, suas obras o fazem coisa: 'Fulano tem um Monet em casa'. Coisa."
Pensar enlouquece. Pense nisso
"Por vezes encaro "Pensar Enlouquece" como uma espécie de antiblog. Não porque eu desgoste de blogues ou raramente fale de minha vida pessoal, e sim porque não sou, e provavelmente jamais serei capaz de publicar textos aprazíveis todo santo dia. Enquanto a maior parte de meus colegas publica três, quatro, cinco posts no intervalo de poucas horas, aqui dificilmente você se deparará com mais do que um texto por dia, e isso se houver algum."
Capman
"De qualquer maneira, é bom eu não me animar muito. Do jeito que eu ando sortudo ultimamente, é bem capaz da luz no fim do túnel ser um trem que vem na direção contrária...""
Ernestinho e suas mulatas besuntadas
"Persela, a vesga
Capítulo de hoje: O amor de Persela e Tony Johnny é "lindo, tão lindo, nada pode ser mais lindo". Enquanto eles comem um lindo algodão-doce cor-de-rosa no pátio da escola, Persela diz:
- Puxa, Tony Johnny. Jamais pensei que eu pudesse ser tão amada. Você sabe, não sei se já percebeu... mas eu sou vesga!
- O quê? Ah, amor, estava falando comigo? Eu pensei que você estivesse olhando para lá... "
Uma dama não comenta
"O problema não é passar a tarde ensolarada às voltas com um pneu furado... O grande problema é a visão da bunda cabeluda do mecânico cada vez que o cara se abaixa. É que nem acidente de trânsito. Grotesco, mas você não consegue deixar de olhar"
Quem escreve?
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Roberto Sasaki tem lá quase seus 30 anos e já exibe sinais de uma certa senilidade precoce, talvez conseqüência de sua compulsiva adoração por junkie food.
Diz que gosta de ler, mas se nega a revelar o nome do último livro que leu, talvez por receio, vergonha, ou porque já se esqueceu mesmo.
Leva tempos para assimilar e aceitar a introdução de novas tecnologias revolucionárias em sua vida, como o uso de panelas elétricas para fazer arroz e a função despertador de seu celular.
Invariavelmente cochila dentro do carro ao voltar do trabalho, em pleno trânsito (prova maior e irrefutável de sua senilidade segundo as más línguas).
Já perdeu a conta das vezes em que se envolveu em "pequenos incidentes de trânsito", termo metafórico que usa para dizer que bateu o carro mesmo, e que não foram poucas vezes. Isso explica o fato de sempre ser convidado para ocupar o banco de passageiros em qualquer atividade coletiva que envolva transporte sobre quatro rodas.
Diz que gosta de ir ao cinema, mas desconfia-se que seja mais pela presença dos amigos do que pelos méritos do filme. Alguns mais maldosos dizem que não se trata de nada disso, que é a pipoca mesmo que o atrai.
Invariavelmente tende a resistir perante uma nova música de sucesso, para depois ser visto cantarolando compulsivamente a mesma música por horas a fio.
Dizem que gosta de escrever, seja lá o que for: contos, cartas, lista de supermercado. Por causa disso, sempre ficava com a parte de copiar o Amanaque Abril nos trabalhos escolares.
De qualquer maneira, considera a escrita a mais poderosa forma de comunicação, e por isso procura ser sensato em suas opiniões.
Bem, pelo menos, na maioria delas... E quando se lembra disso...
Favoritos
Cinemascopio
Críticas de cinema da melhor qualidade
"Escrever para jornal pode ser gratificante, estressante e frustrante. Gratificante quando há espaço, estressante pelas deadlines, frustrante pela mutilação de textos promovida pela falta de espaço. Num tom mais melancólico, a crítica, matéria ou entrevista primorosamente editada hoje pode, amanhã, estar embrulhando peixe no mercado ou forrando o piso de alguma butique..."
Pensata
As colunas bem humoradas de Lúcio Ribeiro sobre o mundo pop
Blog do Basquete Feminino
O melhor e mais completo site sobre o esporte
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14.12.04
Lembro-me, em especial, dos meus Natais da infância. A preparação para o jantar começava logo de manhã, quando minha avó ia para a feira comprar os ingredientes da ceia. Voltava carregada de coisas diferentes, para pratos que só comíamos nesta ocasião. O dia inteiro ela passava dentro da cozinha, no único dia em que a porta da cozinha ficava fechada. Nunca soube o que exatamente acontecia lá dentro, só me lembro de que toda vez que eu abria a porta para xeretar, recebia uma bronca de todo o mundo e saía chateado, batendo os pés.
Eu e as outras crianças brincávamos o dia inteiro, até o momento em que nossas tias apareciam e interrompiam a viagem galáctica que fazíamos na beliche, ou demoliam nossa cabana feita de almofadas para irmos tomar banho. Depois do banho, até a hora da ceia, todo mundo tinha que ficar quietinho sentado no sofá para não sujar as roupas, esperando os convidados.
A hora da refeição era meio mágica. Cada um tinha o seu lugar. Vez ou outra eu e minha prima Marcelina brigávamos para ver quem ia sentar na ponta da mesa, ao lado do meu avô. Eu sempre ganhava, mesmo porque eu era "maior e mais velho", o que na época era uma grande vantagem.
A mesa ocupava a sala inteira (na verdade a sala é que era pequenina mesmo), e todos os pratos preparados por minha avó enfeitavam a mesa. Havia a sopa especial de Natal (que eu só soube apreciar anos e anos depois), os bolinhos de arroz cor de rosa mesclados com pedacinhos de carne (tão bonitinhos), os bolinhos de arroz com recheios em forma de desenhos (havia os bolinhos com a árvore de Natal desenhada, outros com o papai Noel - é lógico que eu sempre pegava um de cada tipo e passava um bom tempão admirando tudo antes de comê-los.... e é lógico que como eu pegava muito eu sempre levava bronca da minha mãe, onde é que já se viu, encher o prato deste jeito...)
Sempre havia um grande pedaço de carne no centro da mesa, daqueles com a cor, sabor e a consistência perfeitas, já colocados em meu prato fatiados pelo meu pai. Não que ele fosse um exímio conhecedor do assunto, ainda mais depois de algumas cervejas, mas calhava dele sempre sentar de frente para a carne. Assim como uma de minhas tia calhava de sentar sempre de frente para a maionese, e passava minutos e minutos só servindo o pessoal antes de poder saborear qualquer coisa.
Eu, como disse, sentava do lado do meu avô, e achava um barato ver ele comendo os sashimis, os famosos peixes crus. Pois é, não achem que todo o japonês já nasce comendo essas coisas, me lembro muito bem que aquilo para mim era como que um espetáculo, eu não entendia muito bem como é que alguém poderia comer com tanta satisfação um pedacinho rosado de salmão cru ao molho shoyu e gengibre ralado...
Invariavelmente me lembro muito bem que eu terminava o Natal debaixo da mesa, brincando com as outras crianças novamente, enquanto nossos pais ainda comiam e conversavam.
O grande barato, no entanto, era pegar nossos travesseiros e dormir debaixo da mesa mesmo, que servia de grande cabana para todos nós, as crianças...
...Era a única época do ano que tínhamos a oportunidade de dormir dentro de uma cabana tão grande e forte, que não corria o risco de desmoronar ao primeiro esbarrão... não podia haver coisa melhor... nem o lobo mau seria capaz de nos pegar lá dentro...
escrito por Roberto Sasaki
at 9:31 PM
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5.12.04
O presente de Natal Eu estava ansioso e mal conseguia esperar para receber o presente que havia escolhido para ganhar do Papai Noel. Afinal de contas, eu pessoalmente havia ido até o Mappin com a minha mãe para mostrar o que queria, o kit Playmobil medieval. A embalagem do brinquedo era incrível, vários bonequinhos dentro de um castelo gigante, capas, coroas, espadas e até um par de cavalos para criar minhas próprias historinhas. Na véspera do Natal, levei um bom tempo para pegar no sono tamanha a excitação.
Na manhã do dia 25 de dezembro, acordei e me deparei com um pequeno pacote na cama. Estranhei, o meu presente deveria vir numa embalagem muito maior. Desconfiado, abri o pacote e lá estava o Playmobil medieval, mas numa versão mais econômica: havia UM rei, UMA rainha e apenas UM cavalinho.
Chorei decepcionado e recebi o abraço de meus pais, que também choraram. Papai Noel havia pedido desculpas e deixado a promessa de que, em breve, eu ganharia o kit completo. Depois de muito choro, acabei me conformando.
Foi provavelmente nesta época que percebi que Papai Noel talvez não existisse, mesmo quando, no dia seguinte, acordei com o kit completo aos meus pés.
Não sabia das dificuldades financeiras pela qual passávamos, mas a alegria que sentia enquanto desembalava meu presente sob os olhos de meus pais expressava muito mais do que a felicidade pelo presente. Expressava também a gratidão e o reconhecimento do esforço de meus pais.
E é por momentos como este, por tudo, que sempre os amarei.
Um Feliz Natal para todos vocês.
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